T H E · P E R S I S T E N C E · O F · P O S T E R S : · C o m e n t á r i o
Se é verdade que a tecnologia contemporânea tem vindo a
alterar a experiência do mundo, não se pode dizer o mesmo do seu papel
aniquilador em relação aos suportes analógicos.
Há alguns anos, era costume ver os discursos preocupados de
designers e livromaníacos, prenunciando o apocalipse do papel e do livro como
objecto. Porém, com o passar tempo, esta ideia foi sendo posta de parte, ao
verificar a constante mutação e reinvenção desse suporte, liderada pelos
designers.
Citadas por Andrew Blauvet, no texto The Persistence of Posters, estão as palavras de Joseph Müller
Brockmann, anunciando o temor pelo desaparecimento do poster impresso, anulado
pelas novas tecnologias. Se em 1971 essa era uma preocupação, hoje em dia nem
sequer é colocada a questão.
Blauvet mostra como o poster está longe de ser um objecto
extinto, devido à cada vez maior abrangência de assuntos a que se dedica. Nas
ruas, nas escolas, nas empresas, chega a faltar espaço para a quantidade de
anúncios – tanto que foi necessário regulamentar espaços de afixação proibida.
O poster espalha ideias, grita a sua própria revolução
dentro da revolução civilizacional. Serve para isto e para aquilo, e ainda para
o outro. Chama o transeunte interessado na sua mensagem ou simplesmente pela
fruição estética a ele inerente.
Porém, a quantidade massiva de cartazes chega a ser, por
vezes, desconfortável. Tanta é a quantidade de informação com que somos
confrontados diariamente, a toda a hora e a qualquer minuto, que somos quase
obrigados a ignorar a grande maioria das coisas vistas de passagem. Ainda
assim, havemos sempre de olhar pelo menos uma vez.
Longa-vida ao cartaz!
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