Um brinde até fartar
Demorámos uma geração inteira — com uma guerra pelo meio — a sair da Grande Depressão. E pode ser, acho até inevitável, que a humanidade se vá habituando a gerir e digerir o que nos parece um atual excesso de informação e comunicação, como fizemos com revoluções tecnológicas passadas.
Mas acima de tudo, o que nos vai salvar é que nos vamos fartar. É com isso que os polarizadores não contam. Como espécie, nós cansamo-nos, aborrecemo-nos, e acabamos por desligar. Até deles. Também Robespierre guilhotinou quem quis até ao dia em que um único deputado na Convenção, um dos muitos que ele tinha acobardado durante meses, se ouviu a si mesmo dizer, surpreendido: “já estamos fartos de ti”. Vinte e quatro horas depois era a cabeça de Robespierre que rolava e o Terror que tinha acabado.
Desta vez nem precisa de ser assim. Um dia os polarizadores ligarão os telemóveis para lançar o seu ódio matinal, e ninguém lhes ligará. Será um belo dia. Com uma brisa só, sem vento de loucura. Mas vem longe.
Rui Tavares, Jornal Público, 7/02/2020
Mas acima de tudo, o que nos vai salvar é que nos vamos fartar. É com isso que os polarizadores não contam. Como espécie, nós cansamo-nos, aborrecemo-nos, e acabamos por desligar. Até deles. Também Robespierre guilhotinou quem quis até ao dia em que um único deputado na Convenção, um dos muitos que ele tinha acobardado durante meses, se ouviu a si mesmo dizer, surpreendido: “já estamos fartos de ti”. Vinte e quatro horas depois era a cabeça de Robespierre que rolava e o Terror que tinha acabado.
Desta vez nem precisa de ser assim. Um dia os polarizadores ligarão os telemóveis para lançar o seu ódio matinal, e ninguém lhes ligará. Será um belo dia. Com uma brisa só, sem vento de loucura. Mas vem longe.
Rui Tavares, Jornal Público, 7/02/2020
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